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“A
origem do cipó titica"
by
Nelson Geromel
Existe
uma formiga grande com dez pernas e uma grande ferrão que os caboclos chamam
de tucandeira. Sua ferroada dói como a do escorpião, mas não mata, não.
Segundo a lenda do rio Jutaí e no rio Biá, contada pelos índios, essa
formiga tece e constrói um cipó (Titica) que é usado nas construções
indígenas e é muito resistente. Para alguns que afirmam que já viram: a
formiga se transforma em planta, sendo que suas patas se transformam em
folhas e o corpo em caule (cipó). Pode ser, não é?”.
“Outra
estória, agora de Porto Afonso – Am – Há algum tempo, na época dos coronéis,
reinos em Porto Afonso, Foz do rio Jutaí e afluentes a tal ponto que ele
fez circular uma moeda própria com sua esfinge e iniciais. Toda a produção
de látex; farinha; peixe e madeira eram controladas pelo coronel. Ele
construiu a cidade de Porto Afonso com energia elétrica, porto e aeroporto e
mesmo o governo da época respeitava o coronel. Estiveram no auge por uns dez
anos e numa revolta dos trabalhadores, toda a família foi dizimada. Foi o
fim do Império. Hoje a Aplub comprou a cidade de Porto Afonso, onde ainda se
pode ver as ruínas”.
O cipó-titica é da espécie botânica Heteropsis
flexuosa, encontrada na Amazônia, em áreas de florestais naturais de
terra firme. Na fase adulta, o caule é grosso e lenhoso com fibra
altamente resistente e durável, por essas características é
utilizado na indústria moveleira e também para artefatos e objetos
artesanais.
O termo cipó-titica é usado apenas na região Norte, no sul e sudeste
as fibras de cipó-titica são chamadas de junco ou rattan. No
Nordeste chama-se vime para qualquer fibra natural. |
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